quarta-feira, 28 de abril de 2021

A Comida

 


Na primeira semana, comia tudo e de tudo. Afinal, teria que estar bem alimentado para aguentar o tranco. Foi só por uma semana. Depois desse período, bastava chegar próximo ao rancho que já ficava enjoado. Quando tentava, comia apenas a sobremesa. Não era uma comida horrorosa, por assim dizer. Mas era diferente. Arroz, “unidos venceremos”, gorgulhos em fartura, frango não tão bem cozido etc. Passei a selecionar o que comer. Comia bem no café da manhã. No almoço, comia uma coisa ou outra. Na maioria das vezes, completava minha refeição na cantina, gastando meu escasso dinheirinho. Também levava alguma coisa de casa, após uma folga. Quando de serviço, a ceia, às dez da noite, também era bem vinda.

Enquanto eu mal conseguia passar na frente do rancho na hora do almoço, muitos dos meus colegas repetiam, quando deixavam. Como meu bom e velho amigo Bráz, que não fazia a menor cerimônia. Confidenciou-me que, quando escalado para levar a comida de um recruta, encarcerado por indisciplina ou algo assim, não resistiu à tentação e sucumbiu à gula, devorando boa parte de sua refeição.

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2ª Companhia de fuzileiros do 35º BI – 1983.

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