quarta-feira, 28 de abril de 2021

Patrulha de Reconhecimento

           Lembro-me que um dia, foram formadas patrulhas, à noite. Era muito escuro. Mal se via o companheiro à frente. A ideia era adentrar ao acampamento inimigo.  

Depois de uma longa caminhada, passamos a rastejar, para não sermos notadosDaí veio a constatação, estávamos rastejando num pasto. A adrenalina era gigante e o mau cheiro, da mesma forma. Estávamos na merda, literalmente. 

Como nada é tão ruim que não possa piorar, refletores foram acesos, bombas de efeito moral e tiros foram disparados.,

  

- “Morram seus filhos da puta!” – gritavam por toda à parte.  


Obviamente, o inimigo havia percebido a nossa presença. 


O lugar virou um verdadeiro inferno. Parecia um combate real, só que não enxergávamos nada. Cada um foi pra um lado.  


O pasto era cercado com arame farpado e só existia uma saída. Ao tentar correr, dei de cara com a cerca. Foi bater e voltar. Não sei se dei sorte ou azar, pois o arame estava bem esticado e acabei não ficando preso. No entanto, sofri várias escoriações. Com certa dificuldade consegui encontrar a saída. 


Após o fim do exercício, voltamos para o acampamento completamente esgotados, pensando apenas em dormir. Entretanto, as barracas estavam todas jogadas ao chãosem qualquer identificação. Até todos chegarem às suas barracas, de fato, o sol já estava raiando para mais um dia de ralação. 

 

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2ª Companhia de fuzileiros do 35º BI – 1983.

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