Nunca esquecerei esse dia. Lembro-me muito bem que no primeiro dia de avaliação fiz, por três vezes, a barra fixa. O sargento Ronald, não sei se ironicamente, gritou:
- “Olha pessoal, Torquato é bom de braço!”.
Acharam pouco, eu ter feito apenas três barras? Muita gente não chegou a fazer uma, sequer. Assim aconteceu com o meu amigo Antonio Queiróz Romão Filho. Lá, se tornou Romão. Nós tínhamos feito os últimos três anos do ensino médio na mesma sala do Colégio Assis Chateaubriand. Coincidentemente, ficamos na mesma companhia e pelotão.
Além das barras, outros exercícios foram cobrados, com performance razoável. No entanto, no outro dia, nem sei como levantei da cama. Estava completamente travado. Não só eu, todos. Claro que a zoação foi absurda.
- “Dezoito anos jogados fora!” – esbravejavam, os cabos e sargentos.
Ao longo do tempo a performance de todos foi melhorando. Eu não tinha muitos problemas com a parte física, a não ser quando se tratava de corridas. Quando em grupo, a dificuldade era menor. A empolgação da turma, as músicas que cantávamos, ao longo das corridas, tinham um efeito estimulante. Mas na hora das avaliações individuais eu sofria um pouco, ao correr. Na verdade, correr nunca foi o meu forte e fazer 3.600 metros em 12 minutos, então... Era raro fazer o percurso em menos de 14 minutos. E olha que eu nunca cheguei em último. Tinha uma galera que tinha um tempo muito pior que o meu.
Lembro-me, no entanto, que tive uma ajuda inesperada e providencial numa dessas avaliações. Eu estava, como sempre, lá no fundão, quando percebi o sargento Adagilmário no caminho contrário. Assim que ele chegou perto de mim, perguntou:
- “Cansou, Torquato”?
- Não, esse é o meu ritmo mesmo – respondi.
- “Vamos lá, soldado, vamos mudar isso” – completou o sargento.
O sargento começou a correr ao meu lado e a levantar o meu brio, dizendo que eu poderia fazer muito melhor do que aquilo e sugeriu que eu o acompanhasse. Assim eu fiz.
Ele foi acelerando, e eu, na mesma pegada.
Quando dei por mim, estávamos ultrapassando vários colegas.
Só ouvia o pessoal falando:
- “Olha pra Torquato!”.
Todos admirados.
Quanto mais eu melhorava a minha passada, mais o sargento me estimulava a correr ainda mais forte.
Depois de ter ultrapassado vários colegas, acabei o percurso com um tempo de 12 minutos e 30 segundos. Ainda não era o tempo ideal, mas já era o meu recorde.
Recebi vários elogios, inclusive de alguns outros sargentos. Fui o assunto do dia. Foi o meu dia de glória! Graças ao sargento Adagilmário.
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