quarta-feira, 28 de abril de 2021

O Paiol

Nunca tirei serviço de guarda no paiol (local onde era armazenada toda a munição). Como deveria ser, era um local isolado de tudo, nos fundos do quartel.

Havia quem preferia ficar de guarda por lá. Os motivos eram muitos, mas o principal deles seria o isolamento. Mesmo correndo o risco de serem flagrados e sofrerem uma punição exemplar, alguns admitiam dormir em serviço e outros usufruíam de momentos relaxantes, por assim dizer, fumando alguns baseados.

Muitas histórias eram relatadas, mas uma, em particular, me chamou a atenção: Santiago, numa certa noite fazia a guarda do local. Mesmo sendo um dia de lua cheia a visibilidade não era lá essas coisas. O silêncio só era quebrado por grilos e o que parecia ser uma coruja. Lá pela madrugada, por volta das 3h da manhã, já cansado e com muito sono, notou algumas luzes verdes vindo em sua direção. Eram luzes que se cruzavam, três ou quatro. Ganhavam mais intensidade à medida que iam se aproximando. Logo de cara não identificou o que seria. Desconfiado, engatilhou o fuzil, ficando em alerta. Tentou contato com o seu reforço, em vão. Chegou a imaginar que seriam discos voadores. Sua boca ficou seca, seu coração parecia querer sair do peito de tanta aflição. As luzes aumentavam e diminuíam sua intensidade de uma maneira muito rápida.

- “Meu Deus, serei abduzido!” – deve ter imaginado.

Até que em certo momento, se deu conta que eram vagalumes.

“Imaginação de soldado astronauta”, segundo ele.

Até hoje, jura de pé junto que não era integrante da turma dos consumidores da planta.

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