Num mundo ideal, talvez não fosse necessário a criação de forças armadas, a exemplo da Costa Rica que, até então, não as tem. Mas não vivemos num mundo ideal. Muito pelo contrário, vivemos num mundo cheio de egoísmo, sede de poder, ganância, dentre outras mazelas. Por isso, existem as forças armadas, como também a obrigatoriedade do alistamento. Não só por isso eu servi ao exército. Inclusive, seria dispensado, mas solicitei que não o fizessem. Pedi ao médico. Ele meio que ficou com pena de mim, acredito. Ainda comentou que lá, não seria nenhuma moleza. Mas entrei, mesmo lembrando de como meu irmão chegava em casa, cinco anos antes, nos dias de folga. Havia muita lamentação, mas tinha um sentimento de aventura, determinação e auto estima.
A vida na caserna não é nada fácil. Pude comprovar. Praticamente você se torna um cidadão com pouquíssimos direitos e uma infinidade de deveres.
Tendo a disciplina com base de tudo, somos orientados e treinados para defender a nação e ao seu povo com as nossas vidas, se preciso for.
São meses de muita ralação, é bem verdade, mas são momentos que nos fazem crescer como homens.
A hierarquia predomina, e não poderia ser diferente. Entretanto não é incomum o abuso de autoridade de alguns superiores. Ter o poder sobre o outro, nem todo mundo sabe lidar com isso. Não estou questionando o treinamento recebido, pois o mesmo é mais do que necessário. O rigor é primordial para a simulação de um campo de batalha, de um enfrentamento contra qualquer inimigo. Refiro-me a certos procedimentos desnecessários. Creio que um superior deve, em primeiro lugar, saber como conquistar o respeito dos seus comandados. Como em todo lugar, os mais velhos zoam os mais novos. Faz parte. Entretanto, no quartel, pegam mais pesado e os excessos acabam acontecendo. O quartel é um mundo à parte. Momentos difíceis, outros tantos, hilários.
Se eu me arrependi? De forma nenhuma. O custo benefício valeu à pena.
Com a ajuda de alguns companheiros desse momento da minha vida, farei algumas narrativas sobre como passamos pelo exército brasileiro-EB, mais precisamente, no 35º Batalhão de Infantaria.
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