Bráz me fez lembrar do momento em que um boneco, caracterizado como se fosse um inimigo a ser batido, era jogado de uma árvore por um militar, estrategicamente escondido:
Depois uma longa corrida, passando por inúmeros obstáculos, eis que surgia um inimigo à nossa frente.
- “Mata, mata, mata o inimigo!” – esbravejavam, os orientadores.
Todos atendiam ao comando e o tal inimigo era alvo de muitos desabafos, por assim dizer.
Apesar de um número grande de recrutas, pareceu que apenas um boneco havia sido confeccionado. Portanto, mesmo sendo o “indivíduo” a ser eliminado, o mesmo deveria ficar em condições mínimas para suportar ao ataque de todos.
O clima era de muita tensão, de guerra mesmo. Todos estavam com adrenalina à mil. Um barulho absurdo por conta das bombas de efeito moral e por toda a gritaria provocada pelos orientadores a fim de deixar a nós, ainda mais pilhados. Não faltou quem “surtasse” diante das circunstancias e acabaram exagerando na dose. Um dos recrutas, além de furar o boneco com a baioneta, passou a dar socos e mordê-lo ferozmente, tirando-lhe uma das orelhas com os dentes. O inimigo estava sendo esquartejado a dentadas pelo recruta.
O cabo, que estava soltando o boneco e provavelmente teria sido ele quem o fez, ficou horrorizado. Pulou em cima do recruta, gritando:
- “Você tá doido seu monstro? Você quer comer o inimigo? Você é canibal, seu desgraçado?”.
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