quarta-feira, 28 de abril de 2021

Sofrimento/diversão

 


Com um tempo de quartel, começaram a aparecer uns engraçadinhos que teimavam em demonstrar seus gracejos enquanto estávamos todos em formação na ordem unida. Todos têm número e nome de guerra. Então, gritava-se o número e o seu dono tinha que gritar o seu nome de guerra.

Não era incomum a adoção de apelidos e, a um dos recrutas, foi dado o apelido de Caxinguelê, talvez pela sua beleza. Caxinga, para os mais chegados. De tanto ser chamado pelo apelido, o Nildo, resolveu fazer sua gracinha. Ao ter seu número chamado pelo sargento:

- Soldado 541?

- Caxinga! – respondeu o Nildo, em algo e bom som!

Se não fosse o fato de todo mundo cair na gargalhada (até o sargento esboçou um sorriso), só o infeliz do Nildo sofreria alguma punição. No entanto, todos foram devidamente castigados.

Em outro momento, por ter um nome de guerra incomum, eu fui o escolhido da vez.

Num outro dia, no pátio da 2ª CIA., houve uma sessão de senta e levanta. Castigo muito utilizado, sendo nós merecedores ou não.

- Sentado 1, 2 – gritava o sargento

Enquanto a maioria gritava 3, 4 ao sentar, um dos recrutas respondeu diferente:

- Torquato!

Até então, o sargento não havia percebido, e continuou:

- De pé 1, 2.

Dessa vez, a turma toda, gritou:

- Torquato!

E assim ficou até o sargento perceber, e não perdoar.

- Hummm! Temos aqui uma companhia de comediantes.

Foram vários minutos de flexões, cangurus, e pulinhos de galo, como castigo. E todo mundo com um sorriso largo na cara. Todos, descarados!

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2ª Companhia de fuzileiros do 35º BI – 1983.

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