O meu primeiro plantão foi no nosso alojamento. Eram cento e catorze homens, saídos da adolescência, cheios de dúvidas, medos e anseios, reunidos num só lugar.
Às dez horas há o toque de silêncio e, como o próprio nome diz, todos deveriam fazer silêncio. Resumindo, hora de dormir. Claro, aqueles que não estavam de serviço. O problema é que ainda estávamos nos conhecendo, vivenciando coisas novas e o papo corria solto.
No intuito de fazer um serviço exemplar, no meu primeiro dia, quis impor minha autoridade diante da resistência dos meus colegas a se calarem.
- Vocês ouviram o toque de silêncio, todos quietos! – Ordenei, com voz firme!
Logo, responderam, em tom ameaçador:
- “Quem é esse recruta? Tá pensando que é o quê?
Não me calei. Repeti a ordem. Até então, seguro de si. Ao mesmo tempo em que eu tentava descobrir quem era o indivíduo a ameaçar-me.
- “Destá, fila da p..., uma hora a gente te pega!”.
Cara, quem estava dizendo isso, me parecia ser o Geraldo. Geraldo era simplesmente o cara que “brincava” de boxe com Braz, outro “armário”, se é que me entendem. E o mesmo que, tempos depois e segundo testemunhas, viria a dar uma voadora nos peitos de um sargento, num exercício da pista de reação. Será que eu estava em apuros?
Não podia demonstrar medo. Era eu que estava no plantão e cabia a mim manter a ordem.
Enfim, após mais algumas promessas de vingança, fez-se o silêncio.
Fiquei mais alerta enquanto ainda estava no posto, e dormia praticamente com um olho fechado e o outro aberto, na hora do descanso.
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