Eu me considerava um bom atirador, apesar do problema no olho direito. Descobri, assim que saí do quartel que tinha dificuldades de enxergar no olho direito. Fato não detectado nos exames de alistamento. Na verdade, estes exames eram bem básicos.
Atirava razoavelmente bem porque seguia a todas as recomendações do instrutores e tinha calma na hora do tiro. Sou ansioso, por natureza, mas nesse momento eu me tranquilizava. Tinha boa postura, controlava a ansiedade e tinha foco.
Certa vez, num desses treinamentos, estávamos sendo orientados pelo Aspirante a oficial, João Marques, recém chegado da AMAN-Academia Militar das Agulhas Negras. Quase dois metros de massa bruta, “caxias”, mas super gente boa. Ao me ver no stand de tiro, elogiou minha postura e a maneira como eu me mantinha calmo, ao atirar. Nesse dia, eu dei uns cinco ou seis tiros, muito perto uns dos outros. O aspirante ficou curioso e mandou que eu repetisse a série. Não consegui ter a mesma performance.
-Porra, Torquato. Tá me sacaneando? – esbravejou o aspirante, decepcionado.
Será que ele havia pensado ter encontrado um “sniper”? Será?
O melhor atirador da turma foi Everaldo. Sem saber do meu problema no olho, inventei de aceitar uma aposta com ele, para ver quem se saia melhor no treinamento.
Perdi. Logicamente.
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